Artigo

06/05/2016

“E agora, José?”

Essa semana começou trazendo aos brasileiros a pergunta: “E agora?”
Impossível não lembrar do poema “José” de Carlos Drummond de Andrade, imortalizado na literatura brasileira em momento tão crítico e cercado de perguntas quanto ao nosso futuro.
Domingo a Câmara dos Deputados não fugiu do seu dever constitucional e aprovou a admissibilidade do ‘impeachment” da presidente Dilma.
Está autorizada a abertura de um processo por crime de responsabilidade da presidente, situação que será decidida agora pelo Senado Federal, em prazo que já foi abreviado e, realmente, precisa ser o menor possível.
Mesmo diante desse quadro constitucional, dos trâmites mínimos exigidos para a confirmação do impedimento, é preciso admitir a verdade: o governo Dilma acabou.
As declarações do governo após a sessão histórica de domingo, incluindo o pronunciamento de Dilma Rousseff demostram uma desorientação completa em relação à realidade do país.
O governo Dilma terminou vitimado pela própria incompetência política, pelo ainda incalculável desastre econômico que criou, pelo gigante sistema de corrupção que o PT instaurou no centro do poder.
O Brasil definha, a cada dia, e a presidente e seu partido são responsáveis por isso. Pior do que esse quadro é Dilma e seu partido não reconhecerem sua responsabilidade pelo que permitiram e criam no país.
Tenho certeza de que esta vitória no dia 17 de abril de 2016 é histórica. Representou a vontade da maioria dos brasileiros, a punição exemplar de um governo que destruiu a economia, afundou-se na corrupção e fez pouco caso das instituições.
O afastamento da presidente, uma vez confirmado pelo Senado, não representará de imediato a resolução da crise política, econômica e moral em que o País está.
São muitos os desafios e o governo precisará de renovadas doses de legitimidade para vencê-las. Salvar a economia é prioridade, mas não será tarefa fácil.
Outra prioridade será vencer a corrupção, o que exigirá muita transparência, respeito e defesa ao Ministério Público Federal e o Poder Judiciário.
Nenhum desses desafios será superado em curto prazo, e de nada ajudarão um clima de exaltação partidária ou eventuais tentativas de abafar a “lava jato”, coisa que os brasileiros não admitirão.
A crise exigirá união, paciência, equilíbrio, espírito crítico e esperança construtiva.

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